Cerimônia de abertura foi realizada no teatro Estação Gasômetro, em Belém, e contou com a presença de diversas autoridades do estado.

Com uma programação recheada de atrações culturais e presença de autoridades do Estado e da sociedade civil, a cerimônia de abertura da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, promovida pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), deu o pontapé inicial para a execução de ações voltadas para a prevenção e combate à violência contra as mulheres do Pará. O evento ocorreu na manhã desta terça-feira, 14, no Teatro Estação Gasômetro, em Belém. O tema escolhido esse ano foi “Empodera Mulher Negra. Empodera!”.

 

Dentre as diversas autoridades que participaram da cerimônia, esteve o secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Pará, Michell Mendes Durans, que explicou a campanha vai de encontro com a missão da Secretaria. “Uma campanha como essa vai de encontro com a nossa missão, que é a de articulação de políticas públicas. A violência contra a mulher ainda é uma realidade no Brasil, sobretudo no Pará. Éramos o segundo do ranking desse tipo de violência em 2011, hoje estamos em décimo lugar, muito por conta dessa articulação que o Governo do Estado tem feito através de diversas Secretarias, de forma integrada. Esse momento é o momento em que a gente se reúne para intensificar o que já está sendo feito.”

 

Dentro da programação, a cerimônia de abertura contou com a orquestra do Corpo de Bombeiros, que fez a execução dos hinos do Pará e do Brasil, além de apresentações musicais voltadas para as mulheres presentes; houve também apresentações de carimbo e falas de representantes de entidades parceiras na campanha, como a Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), Tribunal de Justiça do Estado, Fundação Propaz, entre outros.

 

A coordenadora de Integração de Políticas para Mulheres da Sejudh, Trindade Tavares, que é quem está à frente da campanha, explica que a iniciativa tem o objetivo de mobilizar a sociedade paraense para o enfrentamento à violência contra as mulheres. “A campanha é de extrema importância para as mulheres paraenses, porque nosso objetivo é mobilizar a sociedade para o enfrentamento a esse tipo de violência, envolvendo homens inclusive. Temos de chamar o protagonismo deles, considerando que nem todos são agressores. Apesar de serem 16 Dias de Ativismo, não significa que no nosso dia-a-dia não estamos trabalhando nesse enfrentamento”, explicou.

 

A coordenadora do Núcleo de Apoio dos povos indígenas, comunidades negras e remanescentes de quilombos, Adelina Braglia, afirmou que a campanha é um ofício para que o combate seja feito durante todos os dias do ano. “A campanha, que nesse ano tem um foco específico para a mulher negra, tem uma importância enorme, não por serem 16 dias. Na verdade, este é um ofício para o combate durante os 365 dias do ano. Os 16 dias são para chamar a atenção, através de campanhas de conscientização, de duas questões que, no caso das mulheres negras, indígenas e de comunidades quilombolas, tenham um peso ainda maior.”

 

A estudante Ana Carolina Souza, de 16 anos, também esteve presente no teatro Estação Gasômetro para prestigiar a cerimônia de abertura da campanha 16 Dias de Ativismo. Para ela, uma iniciativa como essa é importante, pois encoraja mulheres em situação de risco a denunciar e buscar ajuda. “Eu acho muito importante essa campanha, porque geralmente as mulheres são intimidadas quando sofrem violência, e muitas não denunciam por medo. E essa campanha pode estimula-las a procurarem ajuda caso sofram algum tipo de violência.”

 

Estado é referência em atendimento integrado à mulher

 

O Governo do Pará é pioneiro no País em protocolos de atendimentos voltados para a mulher, através Pro Paz Integrado Mulher, que foi criado para oferecer um serviço especializado de atendimento integral às mulheres em situação de violência doméstica, familiar e sexual. Nessas unidades, as mulheres encontram todo o tipo de assistência necessária, conforme explica o presidente da Fundação Pro Paz, Jorge Bittencourt. “A mulher, ao procurar essas unidades do Propaz Integrado, encontram nesse único espaço todas as políticas públicas disponíveis para esse tipo de atendimento, com o objetivo de evitar a revitimização. O nosso grande desafio como sociedade é trabalhar a desnaturalização da violência, que ocorre não só contra as mulheres, mas também contra crianças e idosos, por exemplo”, explicou.

 

O Pará está na vanguarda deste formato de atendimento, pois é o único da federação a ofertar tratamento integrado à mulher da capital e do interior. O atendimento especializado à mulher chega ao interior do Pará por meio de seis núcleos distribuídos em Altamira, Paragominas, Tucuruí, Santarém, Bragança e Breves, além de contar com o suporte nas unidades da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), localizadas em todas as regiões do Pará. Na capital, o Pro Paz Mulher conta com espaço físico em Belém no mesmo prédio da Deam.

 

De janeiro a outubro de 2017, foram atendidas 5.426 mulheres em todo o estado, vítimas de violência. Se somados os números desde sua criação, em 2012, a soma chega a mais de 24 mil mulheres que passaram pelas unidades do Pro Paz Integrado.

 

A campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher é desenvolvida em mais de 100 países, no período de 25 de novembro à 10 de dezembro. No Brasil, o início dessa campanha é antecipado para o dia 20 de novembro em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, a fim de destacar a dupla descriminalização vivenciada por mulheres negras. No Pará, passou a integrar o calendário oficial de eventos do Estado em setembro de 2015, em decreto assinado pelo Governador Simão Jatene.


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