Ocorreu nesta quarta-feira, 27, a Cerimônia de Encerramento do projeto “Escravo nem Pensar!”no Pará, promovido pela ONG Repórter Brasil, em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e outras entidades. O evento foi realizado no auditório do Instituto Estadual de Educação do Pará (IEEP), em Belém, e com a participação de gestores das secretarias de Educação (Seduc), de Integração de Políticas Sociais (Seeips), do Ministério Público do Trabalho e de entidades da sociedade civil.

 

 

O projeto teve início no estado em outubro de 2016 e impactou mais de 100 mil pessoas, conforme explica Natália Susuki, Coordenadora do projeto “Escravo Nem Pensar!”, da ONG Repórter Brasil. “Foi um processo de onze meses, que começou em outubro de 2016, que está sendo fechado hoje. Já temos resultados semifinais de como que o projeto alcançou a rede de ensino do Pará. Essas sete unidades de educação escolhidas são aquelas que cobrem os municípios com maior índice de trabalho escravo e aliciamento de trabalhadores do estado. E, apesar desses dados ainda sofrerem um incremento no final do ano, já percebemos que o resultado foi muito bom. Foram mais de 50 municípios impactados dentre os 73 inicialmente previstos no projeto. Tivemos uma ordem de grandeza de mais de 100 mil pessoas impactadas. O alcance do projeto foi muito célere e rápido. ”

 

Natália também destaca a participação da Sejudh durante todo o período em que o projeto esteve no Pará. “Foi um trabalho coletivo, com a participação de muitas entidades, com destaque para a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, que foi responsável por começar a articular e dialogar conosco (Repórter Brasil) no início e foi a responsável por fazer toda a abertura de diálogo com o Governo. Então, o papel da Sejudh foi essencial. Ela acompanhou o projeto durante todos os meses e somos gratos a ela. Esse resultado também é da Sejudh”, observou.

 

 

 

 

O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Pará, e presidente da Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo, Michell Mendes Durans, participou de uma roda de conversa sobre políticas públicas de combate ao trabalho escravo no Estado. Para ele, é uma missão institucional da Secretaria promover missões que vão de encontro com o projeto “Escravo nem Pensar!”. “A Secretaria de Justiça tem por missão institucional a promoção de cidadania, defesa dos direitos humanos, assim como a possibilidade de reparar possíveis danos em conta disso. E o Escravo Nem Pensar vem de encontro com essa missão. Trata-se de um projeto da ONG Repórter Brasil que no qual tiveos a possibilidade de conhecer dois anos atrás, e a partir de então aceitamos a missão de implementar o Estado do Pará dentro desse projeto. O Pará foi o segundo a aderir a iniciativa e isso só foi possível com o apoio imprescindível do Ministério Público do Trabalho, da Secretaria de Educação, e do nosso Govenador para que nós estivéssemos aderindo.”

 

 

 

Leila Silva, coordenadora de Política de Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da Sejudh, conta que o projeto teve uma grande importância no desenvolvimento da temática.“Esse projeto teve uma grande importância para o desenvolvimento da temática relacionada ao trabalho escravo. Nós, enquanto Sejudh, fomos uma forma de articulação para que esse projeto acontecesse em oito UREs (Unidades Regionais de Educação) e mais as 20 USEs (Unidades do Sistema Educacional). Essa articulação nas UREs foi de fundamental importância porque alcançou não só crianças e adolescentes, mas sim toda a comunidade escolar, que vai evar um processo de prevenção e de articulação pra essa rede de ter o conhecimento sobre como romper o ciclo do trabalho escravo.”

 

 

Hideraldo Machado, procurador-chefe da Procuradoria Geral do Trabalho da 8° Região, também participou da roda de conversa. Para ele, o ideal nem era estar discutindo um temade algo tão ultrapassado como trabalho escravo em 2017 e apresenta as lições que podem ser tiradas do projeto no Estado.“O ideal era que nós nem estivéssemos aqui e agora discutindo essa questão, com essa reflexão sobre trabalho escravo. Mas o nosso estado é o campeão nesse tema, e isso já de décadas. Infelizmente nós fazemos parte desta estatística. A lição é que nós temos que sempre nos indignar com contra esse tipo de prática, e estarmos atentos para enfrenta-los.”

 

 

A professora Francisca Ribeiro, da USE 6 de Belém, que agrega escolas do bairro da Terra Firme, conta que em sua unidade, cerca de 3200 alunos foram impactados com o projeto. “Em nossa USE atingimos cerca de 3200 alunos e foi um trabalho muito bom. Todas as escolas da unidade participaram do projeto. Foi uma iniciativa que abriu portas, fez com que os professores se organizassem com outras entidades em prol do projeto. Não tínhamos acesso materiais com essa temática antes, e agora temos esses parceiros como a Sejudh e o Ministério Público, investindo nesse trabalho, que precisa continuar.”

 

O Pará é o estado campeão no ranking de casos de trabalho escravo. Desde 1995 – quando o Estado brasileiro assumiu ocorrência do trabalho escravo em território nacional – até 2016, mais de 13 mil trabalhadores foram libertados no Estado, o que representa 25% do total de libertados no país.

 


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